Investigação apura esquema de violência sexual contra adolescentes, com suspeita de estupros coletivos, gravação de abusos e chantagens para controlar as vítimas.
Oito pessoas foram presas no âmbito da Operação NXIVM, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que investiga uma suposta rede criminosa de exploração sexual de adolescentes. Entre os detidos estão um personal trainer de 24 anos, um terceiro-sargento da Polícia Militar e um assessor parlamentar da deputada federal Talíria Petrone (PSOL). As apurações apontam para a prática de abusos sexuais, produção de vídeos das agressões, tortura e ameaças contra as vítimas.

Um dos presos é João Lucas Figueiredo Perrenoud, localizado em Maricá, na Região Metropolitana do Rio. Segundo informações divulgadas pelo g1, ele é suspeito de pressionar uma adolescente por mensagens para que ela se encontrasse com dez homens. A investigação também aponta que o personal trainer buscava a jovem nas proximidades da escola e a levava aos locais onde os abusos teriam ocorrido.
A operação foi realizada na quarta-feira (28), em Niterói, São Gonçalo e Maricá. A Polícia Civil pretendia cumprir dez mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. A investigação começou em julho, após a prisão de Matheus Rodrigues Gonçalves, então assessor do vereador Professor Túlio (PSOL), em Niterói. Ele é suspeito de abusar sexualmente de uma adolescente de 16 anos e de participar de um esquema que levou os investigadores a identificar outros possíveis envolvidos.

Entre os presos na operação está Maurício Douglas Souza das Chagas Moura, de 35 anos, terceiro-sargento da PM lotado no 1º BPM, em São Gonçalo. Ele é investigado por possível participação no esquema. Em nota, a Polícia Militar informou que acompanha os desdobramentos do caso para avaliar as providências cabíveis e reiterou que não tolera desvios de conduta por parte de seus integrantes.
Também foi preso Carlos Alberto Lucio Bittencourt Filho, de 45 anos, assessor parlamentar da deputada federal Talíria Petrone. Após tomar conhecimento da operação, a parlamentar afirmou ter sido surpreendida pelas informações e determinou a exoneração do funcionário enquanto aguarda o esclarecimento dos fatos. Ela manifestou solidariedade à adolescente e à família e defendeu a apuração rigorosa das denúncias.
Matheus Rodrigues Gonçalves, de 36 anos, havia sido preso em julho, dando início à investigação. De acordo com o delegado Antônio Salvino, a adolescente foi levada ao apartamento do suspeito, onde teria sofrido estupro coletivo. Os abusos teriam sido gravados, e as imagens seriam utilizadas para chantagear a vítima. A polícia também aponta que Matheus criou um perfil em uma rede social fingindo ser a jovem, com o objetivo de atrair outras adolescentes.
Outro preso é Miguel Ribeiro Magni, de 20 anos, suspeito de filmar as agressões contra as vítimas. A operação também resultou nas prisões de João Pedro Alecrim Soares, de 25 anos; Natã Marques Pereira, de 28; e Carlos Otavio de Oliveira Soares da Silva, de 29. Até o momento, as informações divulgadas não detalham individualmente a participação atribuída a cada um deles.
Como funcionava o esquema investigado
Segundo a Polícia Civil, os integrantes da rede produziam gravações de violência sexual contra adolescentes e utilizavam o material para ameaçar divulgar imagens íntimas das vítimas. As intimidações, acompanhadas de possíveis agressões físicas e psicológicas, seriam empregadas para manter as jovens sob controle e submetê-las a novos abusos.
Ainda conforme os investigadores, os suspeitos se referiam a si mesmos como “senhores” e chamavam as vítimas de “escravas”. A apuração busca esclarecer a estrutura do grupo, identificar outras possíveis vítimas e determinar o envolvimento de cada investigado.
A ação foi coordenada pela 74ª DP (Alcântara), com apoio de unidades do 4º Departamento de Polícia de Área e da Corregedoria-Geral da Polícia Militar. Os investigados podem responder por estupro de vulnerável, corrupção de menores, exploração sexual de adolescentes, associação criminosa e tortura. As responsabilidades individuais deverão ser estabelecidas no decorrer das investigações e do processo judicial.





