Cigarros e filtros representam a maior parte dos resíduos encontrados em coletas feitas por pesquisadores em cinco municípios da região
Um levantamento recente revelou um dado alarmante: cigarros, filtros e bitucas são os campeões do lixo encontrado nas praias da Região dos Lagos. O mapeamento foi feito pelo Projeto Imersão — parceria entre a Universidade Veiga de Almeida e a concessionária Prolagos — e integra o programa Blue Keepers, do Pacto Global da ONU, que atua no combate à poluição crônica dos oceanos.
Entre 2024 e 2025, os pesquisadores contabilizaram cerca de 4,5 mil unidades desses materiais em coletas realizadas nas praias do Forte (Cabo Frio), dos Anjos (Arraial do Cabo), do Popeye (Iguaba Grande), do Sudoeste (São Pedro da Aldeia) e no Mangue de Pedras (Búzios). Segundo o estudo, o cigarro lidera com folga o ranking de poluentes, seguido por plásticos (10.134 unidades), metais (1.417) e vidros e cerâmicas (1.012).
As bitucas são feitas de acetato de celulose, um plástico que pode levar até 15 anos para se decompor. “Esses dados ajudam a orientar políticas públicas e estratégias empresariais voltadas à educação ambiental e à logística reversa”, explica o biólogo Eduardo Pimenta, coordenador do projeto e professor da UVA.
O impacto ambiental é preocupante: mais de 70% do lixo das praias é plástico, e boa parte acaba se transformando em micro ou nanoplásticos, ingeridos por peixes e, posteriormente, pelos próprios seres humanos. O projeto realiza quatro campanhas anuais de limpeza e monitoramento, buscando reduzir a chegada desses resíduos ao mar.





