Estela Pires afirma que Matheus Castôr, morto a tiros no dia 4, era trabalhador, pai dedicado e foi confundido com alvo ligado ao tráfico: “Não vou deixar que enterrem a memória dele com mentira”
A dor de perder o companheiro de uma vida se mistura à revolta de quem luta contra a injustiça. Estela Pires, esposa de Matheus Castôr, de 29 anos, afirma que o marido foi executado por engano e ainda teve sua imagem manchada com falsas acusações de envolvimento com o tráfico. “Chamaram ele de bandido só porque era negro. Mas meu marido era trabalhador, honesto, sorridente, pai de família”, desabafa.
Matheus, conhecido como Baiano, foi morto a tiros em São Pedro da Aldeia quando saiu de casa apenas para comprar carne. Segundo Estela, minutos depois, outro homem — identificado como Rômulo — foi executado a poucos metros dali. A família acredita que Matheus tenha sido confundido com o verdadeiro alvo.
“Ele vendia trufas para ajudar nas despesas enquanto recebia o seguro-desemprego e buscava um novo trabalho. Disseram que o caderno dele era de anotações do tráfico, mas era só das trufas. Estão tentando manchar a memória de um homem bom”, denuncia a viúva.
Estela ainda relata que pertences do marido desapareceram da cena do crime, incluindo o celular, a bolsa com as anotações e até a carne que ele comprava para a marmita dela. “Quero justiça. Não vou permitir que apaguem quem ele foi.”
O casal criava dois filhos — um adolescente e uma menina de 9 anos. “Minha filha leu na internet que o pai era traficante e chorou muito. Isso destrói uma família por dentro”, conta.
A investigação está a cargo da 125ª DP. Enquanto isso, Estela segue firme: “Se achavam que ele não tinha ninguém, erraram. Ele tem a mim, tem nossos filhos, tem uma história. E não vai ser enterrado com uma mentira”.





