Justiça absolve PMs em caso de homicídio em acampamento após 40 horas de julgamento tenso em São Pedro da Aldeia

Justiça absolve PMs em caso de homicídio em acampamento após 40 horas de julgamento tenso em São Pedro da Aldeia

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Cinco anos depois da morte de sem-terra no Acampamento Emiliano Zapata, júri inocenta policiais acusados de execução; defesa apontou falhas graves na investigação e a existência de outro suspeito nunca indiciado

Um dos julgamentos mais emblemáticos da história recente do interior do Rio terminou com um veredito que causou impacto: após 40 horas de sessão no Fórum de São Pedro da Aldeia, os três policiais militares acusados de matar um integrante do movimento sem-terra, conhecido como “Mineiro”, em 2020, foram absolvidos por unanimidade. A decisão encerra um processo judicial que se arrastou por cinco anos e ganhou repercussão nacional.

O caso aconteceu no Acampamento Emiliano Zapata, em meio a uma disputa agrária que mobilizou a Polícia Federal, o Incra e o Ministério Público Federal. Os réus sempre alegaram legítima defesa, inclusive um dos PMs, que passou 40 dias em coma após o confronto. A defesa desconstruiu a tese do Ministério Público do Rio, apontando contradições nos depoimentos e ausência de provas técnicas que sustentassem a acusação de execução.

Um ponto central da defesa foi a menção a um terceiro homem, identificado apenas como “Tião”, que teria envolvimento direto na morte e nunca foi investigado pelas autoridades. A estratégia convenceu os jurados, que inocentaram os militares após um julgamento tenso, considerado o mais longo da história da comarca.

Relembre o caso:
Em janeiro de 2020, uma operação resultou na prisão de dois PMs e um fazendeiro, apontados como responsáveis pela morte de “Mineiro”, integrante do MST, durante um confronto no Acampamento Emiliano Zapata. O conflito ocorreu em meio a uma disputa de terras na Fazenda Negreiros, parcialmente desapropriada pelo Incra. Segundo a Polícia Civil, o fazendeiro – armado e acompanhado dos PMs de folga – teria reagido à ocupação com violência.

Dias antes do homicídio, casas no acampamento foram incendiadas por homens armados. A morte de Mineiro, com múltiplos tiros, foi tratada inicialmente como execução. O fazendeiro foi preso com um arsenal e tentou se desfazer das armas antes da chegada da polícia. O caso gerou protestos, mobilizou lideranças políticas e acendeu o debate sobre violência no campo.

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