
A cidade de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, vive um cenário de revolta e desamparo. De um lado, pacientes enfrentam horas de espera por atendimento no Pronto Socorro Municipal, lidando com a falta de médicos, estrutura precária e escassez de insumos básicos. De outro, a Câmara Municipal gasta milhões de reais em salários e cargos comissionados, num contraste que indignou a população.
Na tarde desta segunda-feira (26), um vídeo gravado por uma moradora viralizou nas redes sociais, escancarando o drama de quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) no município. Em lágrimas, a mulher suplica ao prefeito Fábio do Pastel por um atendimento digno para sua mãe, que sofria de pressão alta e aguardava há horas por um médico.
“Senhor Prefeito, pelo amor de Deus, tenha um olhar mais misericordioso pela população que depende da saúde pública… Queria saber se vocês tratam a mãe de vocês assim”, desabafou, emocionada.
A cena ganhou grande repercussão e simboliza o estado de calamidade vivido por centenas de famílias aldeenses.
Gastos milionários na Câmara chocam moradores
Enquanto isso, a Câmara Municipal, presidida pelo vereador Jean Pierre, segue no centro de uma polêmica envolvendo gastos elevados com salários e indicações políticas. Levantamentos apontam que apenas no primeiro trimestre de 2025, foram pagos R$ 2.491.898,39 com folhas salariais, gratificações e cargos comissionados. Os valores foram divididos da seguinte forma:
Janeiro: R$ 1.167.626,53
Fevereiro: R$ 653.476,34
Março: R$ 670.795,52
O que mais chama atenção é que 85% do quadro funcional é composto por comissionados, sem concurso público, indicados por apadrinhamento político, incluindo parentes, aliados e cabos eleitorais.
Cada um dos 10 vereadores recebe R$ 16.503,19 mensais, enquanto a estrutura administrativa da Casa se tornou um símbolo do inchaço e da falta de transparência no uso do dinheiro público.
População cobra respostas
Diante do cenário, moradores questionam a prioridade da gestão municipal e o papel dos parlamentares, que deveriam fiscalizar e representar os interesses do povo. Com escolas sem merenda, postos de saúde sucateados e falta de medicamentos, o clamor por dignidade ecoa pelas ruas e pelas redes sociais.
“A cidade está abandonada. Eles vivem numa bolha, enquanto a gente sofre aqui fora”, disse um comerciante do centro da cidade, que preferiu não se identificar.
A crise escancarada em São Pedro da Aldeia levanta uma pergunta que ecoa entre os cidadãos:
Quem está, de fato, trabalhando pelo povo aldeense?





