As convicções firmes da vereadora Marielle Franco em defesa dos direitos humanos e sua postura combativa frente a questões sociais e políticas podem ter sido fatores determinantes para seu assassinato, de acordo com informações apresentadas pelo Ministério Público. Nas redes sociais, a vereadora chamava a atenção para a violência policial nas favelas, defendia o direito das mulheres e criticava a intervenção federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro.
Segundo o promotor Eduardo Morais Martin, membro da força-tarefa responsável pelas investigações das mortes de Marielle e Anderson, a denúncia feita por Ronnie e Élcio já sugeria que o crime também foi motivado pelas causas defendidas pela vereadora. Ele destaca que, embora existam outras possíveis motivações, a atuação de Marielle esteve presente na denúncia e continua relevante nas investigações.
Flávio Dino, ministro da Justiça, concorda com o posicionamento do Ministério Público e enfatiza que os fatos revelados até o momento e as novas provas coletadas apontam para uma forte vinculação dos homicídios, especialmente o de Marielle, com a atuação de milícias e do crime organizado no Rio de Janeiro. Para ele, a conexão entre os acusados Ronnie, Élcio e Maxwell com essas organizações criminosas e milicianas é inegável.
Marcelo Freixo, presidente da Embratur e ex-deputado estadual da Alerj, de quem Marielle foi assessora, ressalta que a motivação política não pode ser dissociada do crime. Ele acredita que Marielle foi assassinada por causa do que ela representava e defendia. Freixo destaca que a vereadora fazia parte de um grupo político, defendia pautas importantes e incomodava muitas pessoas. Segundo ele, o crime não foi motivado por dívida ou questão passional, mas sim por razões políticas, e a identificação do mandante torna-se essencial para a investigação.
Durante seu mandato na Câmara Municipal do Rio, Marielle Franco atuou de forma engajada, defendendo projetos de lei voltados para o acolhimento de crianças em período noturno enquanto seus responsáveis trabalhavam ou estudavam, a conscientização e enfrentamento ao assédio e violência sexual, a compilação de dados para políticas públicas destinadas às mulheres, a efetivação das medidas socioeducativas em meio aberto e a inclusão do Dia de Thereza de Benguela como celebração adicional ao Dia da Mulher Negra.
A vereadora também defendeu a assistência técnica pública e gratuita para habitação de interesse social para famílias de baixa renda. Marielle Franco sempre se destacou por suas lutas em prol da igualdade, dos direitos humanos e da justiça social, tornando-se um símbolo de resistência e inspiração para muitas pessoas. A motivação de seu assassinato ainda é objeto de investigação, mas sua memória e legado permanecem vivos na luta por um país mais justo e igualitário.





