Na última sexta-feira (20), Cabo Frio foi cenário de mais um capítulo lamentável de descaso e irresponsabilidade na gestão de Magdala Furtado. Sueli Gimenes, de 63 anos, perdeu a vida dentro de um carro após ter o atendimento negado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. Moradora do Parque Burle, Sueli sofreu um mal súbito em casa e, com a ajuda de vizinhos, foi levada às pressas para a UPA. No entanto, ao chegarem ao local, depararam-se com as portas fechadas. Sem alternativas, foram orientados a buscar socorro em São Pedro da Aldeia, mas Sueli não resistiu e faleceu antes de receber qualquer assistência.
O fechamento da UPA foi decretado após uma reunião entre servidores da saúde e o secretário municipal de Saúde, Bruno Alpacino, devido a atrasos nos salários e à falta de pagamento do 13º. A paralisação dos atendimentos começou na quinta-feira (19), deixando a cidade desamparada. Na sala vermelha, única ainda em funcionamento, pacientes graves lotavam o espaço, mas novos atendimentos foram suspensos, resultando em tragédias como a de Sueli.
Como resposta ao caos instaurado, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) acionou a Justiça, que determinou o bloqueio dos bens da prefeita Magdala Furtado e do secretário Bruno Alpacino. A decisão judicial, publicada na quarta-feira (25), impôs uma multa diária de R$ 100 mil pelo descumprimento de uma liminar que exigia a normalização dos serviços de saúde, acumulando R$ 550 mil até o momento.
O abandono da saúde municipal foi confirmado pelo prefeito eleito, Dr. Serginho, que realizou uma inspeção na UPA no dia de Natal (25). Ele encontrou instalações deterioradas, medicamentos em falta e equipes insuficientes, prometendo transformar a saúde pública a partir de sua posse, no dia 1º de janeiro.
Enquanto Magdala Furtado e Bruno Alpacino enfrentam bloqueios judiciais e protestos, a população de Cabo Frio permanece indignada e em luto. O caso de Sueli Gimenes é mais uma ferida aberta no coração da cidade, que clama por justiça.