Na tarde deste domingo (30), a cidade de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, foi palco de mais um capítulo da tragédia que assola os jovens das comunidades. Um adolescente de apenas 12 anos, conhecido como “Sementinha”, foi brutalmente assassinado no Parque Alian. O crime choca não apenas pela idade da vítima, mas pelo ciclo de violência que continua a ceifar vidas cada vez mais precocemente. Segundo as primeiras informações, o menino estava ligado ao tráfico de drogas na Rua Baiana, área dominada pela facção Comando Vermelho (CV). No entanto, teria decidido abandonar a vida criminosa, o que, conforme relatos, não foi aceito pelos antigos comparsas. O preço da desistência foi sua própria vida. A execução de adolescentes ligados ao tráfico tem se tornado um fenômeno cada vez mais frequente na Baixada. O aliciamento de crianças para o crime acontece cedo, muitas vezes sem que tenham alternativa. Elas são recrutadas como olheiros ou pequenos vendedores de drogas, mergulhando em um ciclo de violência e morte do qual poucos conseguem sair. E aqueles que tentam, como “Sementinha”, se tornam alvos de seus próprios ex-colegas. A polícia foi acionada e investiga os responsáveis pelo homicídio. Mas além da repressão ao crime, o caso acende um alerta: onde estão as políticas públicas eficazes para impedir que crianças entrem nesse caminho? A ausência de oportunidades e a falta de segurança fazem com que a criminalidade se torne a única opção de sobrevivência para muitos jovens. Moradores da região, assustados, lamentam o ocorrido. “Ele era só uma criança, mas já estava envolvido nisso tudo. Aqui, ou você entra para o crime, ou vive com medo”, desabafou um morador sob anonimato.