Após uma longa espera de uma década, a comunidade remanescente de quilombo de Preto Forro, localizada em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, finalmente vislumbra melhorias em suas condições de vida. As obras de restauração das 18 residências da comunidade começam a sair do papel, juntamente com a construção de um centro social e uma fábrica de beneficiamento de farinha de mandioca. O investimento de R$ 3 milhões é fruto do compromisso do governo do estado do Rio de Janeiro, por meio do Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (Iterj).
Preto Forro é uma das duas comunidades quilombolas tituladas no estado do Rio de Janeiro e carrega uma rica história de resistência, com cerca de 60 pessoas, todos descendentes do ex-escravo Ludigério dos Santos. O projeto de restauração das casas e a construção das novas instalações tiveram a participação ativa dos moradores, cujas opiniões e demandas foram levadas em consideração no processo. A diretora de Regularização Fundiária, Mariana Felippe, ressalta a importância de incorporar a vontade dos moradores em cada etapa do projeto.
A comunidade Quilombo Preto Forro é um verdadeiro retrato da cultura africana, enraizada em todos os aspectos do local, desde o clima até as danças típicas e o forte vínculo com a agricultura. Seus habitantes têm orgulho de suas raízes e têm lutado incansavelmente para preservar a titularidade da terra e melhorar suas condições de vida.
Aos 87 anos, Leonidia Maria Pereira, uma das moradoras mais antigas da comunidade, viveu todas as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos. Ao ver sua antiga moradia transformada pelas obras de restauração, ela se emociona e expressa sua satisfação em poder deixar um legado para as gerações futuras.
Elias dos Santos, um dos líderes locais, anseia pelas obras, especialmente pela reforma do campo de futebol, que é ponto de encontro e lazer para a comunidade. Ele acredita que as melhorias não apenas fortalecerão a comunidade, mas também atrairão outros familiares quilombolas que, em virtude das condições precárias, haviam considerado deixar suas origens.
O presidente do Iterj, Robson Claudino, informa que as obras estão em andamento, com duas casas já entregues e o centro social em estágio avançado. A construção de uma cantina na sede da associação de moradores também está prevista.
O Quilombo Preto Forro, com sua história centenária, é uma comunidade que valoriza suas tradições e se empenha na luta por seus direitos e território coletivo. A iniciativa governamental representa um importante passo em direção à valorização da cultura quilombola e ao aprimoramento da qualidade de vida dessa comunidade resiliente.





