Márcio Canella, deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, e Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, são presos pela PF

Márcio Canella, deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, e Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, são presos pela PF

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Oitava fase da Operação Unha e Carne cumpriu seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão; Justiça também determinou o bloqueio de bens e a suspensão das atividades de 112 empresas investigadas.

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) Márcio Canella, do União Brasil, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A ação investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Também foi preso Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário estadual de Polícia Civil.

As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como desdobramento de uma etapa anterior da investigação, realizada em julho. Na ocasião, Canella e Amim já haviam sido alvos de mandados de busca e apreensão. Segundo as apurações, o esquema investigado teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.

Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. As diligências ocorreram no Rio de Janeiro, em Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. Além de Canella e Amim, foram presos os policiais civis Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como “Pablo Russo”, e Giovanni Gaspar Fernandes; Christiano Gaspar Fernandes, secretário municipal de Ordem Pública de Belford Roxo; e José Carlos Alves de Souza Júnior.

A operação também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas apontadas como possíveis integrantes da estrutura investigada. De acordo com a Polícia Federal, 96 delas são postos de combustíveis que teriam sido usados para dissimular a origem de recursos ilícitos.

As investigações foram reforçadas por um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à Polícia Federal. O documento identificou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. A apuração busca esclarecer como os recursos teriam circulado e se agentes públicos participaram do esquema ou contribuíram para seu funcionamento.

Entre os investigados está Pablo Jukia Felix Ferreira, o “Pablo Russo”. Conforme informações reunidas durante a investigação, ele teria atuado em equipes chefiadas por Marcus Amim em diferentes delegacias e seria suspeito de controlar uma rede de postos por meio de intermediários. A Polícia Federal também apura a possível utilização de empresas ativas e inativas para ocultar a origem dos valores. A responsabilidade de cada investigado ainda depende da análise das provas e do andamento do processo.

Márcio Canella já havia sido alvo de operação em julho

Canella recebeu 197.178 votos nas eleições para deputado estadual, o equivalente a 2,24% dos votos válidos, e ficou em segundo lugar entre os 70 parlamentares eleitos para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Antes disso, exerceu mandato de deputado estadual e foi prefeito de Belford Roxo.

Em julho, o político foi preso em flagrante após agentes federais encontrarem um fuzil calibre 5,56 no veículo em que ele estava, durante uma etapa anterior da Operação Unha e Carne. Na ocasião, Canella afirmou que a arma pertencia ao policial militar responsável por sua segurança.

Três dias depois, Alexandre de Moraes determinou a soltura do político, que passou a responder ao processo em liberdade sob medidas cautelares. Entre as determinações estavam o uso de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte e a suspensão do porte de arma.

Investigação envolve outros casos no Rio de Janeiro

A oitava fase integra uma investigação que já teve outras operações e prisões de figuras públicas do estado, entre elas Rodrigo Bacellar, TH Joias, Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio. As apurações abrangem suspeitas de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, comercialização ilegal de combustíveis e formação de cartel.

A operação faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro. Segundo a corporação, a iniciativa segue diretrizes estabelecidas pelo STF no âmbito da ADPF 635. O tema também foi discutido em uma reunião entre a direção-geral da PF e o ministro Alexandre de Moraes, realizada em 6 de outubro.

Em nota, a Corregedoria-Geral de Polícia Civil informou que atua em apoio à Polícia Federal na operação. A instituição declarou que não compactua com desvios de conduta e que adota medidas administrativas e disciplinares quando há indícios de irregularidades. Também afirmou manter atuação integrada com outras forças de segurança e órgãos de controle.

As investigações seguem em andamento para esclarecer a dimensão do suposto esquema e a participação atribuída a cada envolvido. As prisões e medidas judiciais não representam, por si só, uma condenação criminal.

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