Após dois anos presa, Anna Clara Barroso vai responder em liberdade por crime que chocou a Região dos Lagos; defesa alega coação e problemas psiquiátricos
A Justiça do Rio de Janeiro revogou, na última quarta-feira (2), a prisão preventiva de Anna Clara de Assis Barroso, acusada de um dos crimes mais brutais registrados em Arraial do Cabo nos últimos anos. Ela é apontada como responsável pela morte da amiga Nayra Jeovanna Coutinho de Souza, em abril de 2023, crime cometido com facadas e uso de gasolina para incendiar o corpo da vítima.
Depois de mais de dois anos de prisão sem julgamento, a Justiça considerou o estado de saúde física e mental de Anna Clara, além do tempo excessivo de reclusão, e autorizou que ela responda em liberdade. A decisão veio acompanhada de medidas cautelares, incluindo o acompanhamento médico especializado.
Segundo o advogado de defesa, Filipe Roulien Azeredo Guedes Camillo, Anna Clara está em condição de extrema vulnerabilidade desde o início do processo. Ele alega que ela foi coagida por terceiros no momento do crime e que sofre de dependência química e transtornos mentais.
“Anna Clara jamais deveria ter permanecido tanto tempo presa nessas condições. Agora, com a liberdade provisória, ela poderá ser acompanhada por profissionais da saúde enquanto colabora com o andamento das investigações”, disse o advogado.
A defesa reforça que está comprometida em esclarecer os fatos com transparência e responsabilidade.
Crime com requintes de crueldade
O crime aconteceu na madrugada de 18 de abril de 2023, e chocou moradores da Região dos Lagos. De acordo com a Polícia Civil, Anna Clara teria matado Nayra com golpes de faca e ateado fogo em seu corpo. A vítima chegou a ser socorrida por moradores de um condomínio próximo, mas morreu dias depois com cerca de 70% do corpo queimado.
Inicialmente, Anna Clara procurou a delegacia e contou uma versão diferente: segundo ela, as duas teriam sido vítimas de um roubo durante a viagem. Ela afirmou que, após o motorista fugir com os pertences da amiga, um segundo homem as obrigou a se esfaquear mutuamente e, em seguida, jogou um líquido inflamável nas duas antes de fugir para uma área de mata.
Ela disse ter conseguido carona e seguido até a Delegacia de Araruama, enquanto a amiga teria sido alcançada pelo agressor, que então ateou fogo nela.
Investigação desmontou narrativa
O setor de inteligência da 132ª DP (132ª DP) trabalhou com base em laudos periciais e provas técnicas para apurar a veracidade da versão apresentada. Segundo a polícia, o depoimento de Anna Clara foi considerado “contraditório e incongruente” com as evidências colhidas no local. A reconstituição e os exames apontaram para a participação ativa dela no crime.
Com base nesses elementos, a Polícia Civil descartou a hipótese de latrocínio ou de coação por terceiros e indiciou Anna Clara por homicídio qualificado, com requintes de crueldade.
Mesmo em liberdade, ela continua sendo ré no processo e deve cumprir uma série de obrigações impostas pela Justiça, como comparecimento periódico em juízo, proibição de sair da comarca e tratamento médico especializado.
O caso segue em tramitação e ainda não há previsão para o julgamento.





