Peça foi levada da Praia do Forte em 1953 e permaneceu por décadas fora do município; agora, será restaurada e integrada ao acervo local como símbolo de valorização da memória histórica.
Sete décadas após ter sido levado da Praia do Forte, um antigo canhão que compõe o patrimônio histórico de Cabo Frio está de volta ao seu local de origem. O artefato foi repatriado por meio de uma ação coordenada pela Secretaria da Cidade, com apoio técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e atuação direta da Prefeitura de Cabo Frio.
A operação de transporte e recepção da peça, que durou quase meio dia, foi concluída com a chegada do canhão ao pátio da Companhia de Serviços de Cabo Frio (Comsercaf). No local, o objeto passará por cuidados técnicos iniciais antes de seguir para restauração, etapa essencial para garantir sua preservação e reintegração ao acervo cultural do município.
De acordo com registros do IPHAN, o canhão foi retirado da orla cabo-friense em 1953 durante uma excursão escolar promovida pelo extinto Colégio Nova Friburgo, da Fundação Getúlio Vargas. Com o apoio de um professor e do motorista da viagem, os estudantes içaram a peça e a transportaram para a Região Serrana, onde ela ficou em exposição no jardim da instituição.
Após o fechamento do colégio em 1977, o artefato foi levado temporariamente para a sede do Clube de Regatas do Flamengo, na Gávea, retornando posteriormente a Nova Friburgo com a reabertura da escola. A peça permaneceu fora de Cabo Frio por 72 anos, até que, em 2025, um processo de vistoria e negociação viabilizou seu retorno definitivo.
A iniciativa foi impulsionada por uma recomendação recente do IPHAN, que atestou o desgaste da estrutura e indicou a necessidade de restauração, além de reforçar a importância de sua devolução ao município de origem. A demanda, antiga entre pesquisadores e moradores, foi acolhida como prioridade pela gestão municipal liderada pelo prefeito Dr. Serginho e pelo vice-prefeito Miguel Alencar.
“O retorno do canhão não é apenas uma devolução simbólica. É a recuperação de parte da nossa identidade coletiva. Trata-se de um bem que carrega memórias e testemunhou marcos importantes da formação de Cabo Frio. Trazer essa peça de volta é respeitar nossa herança cultural e garantir que ela seja preservada para as próximas gerações”, afirmou Alencar.





